sexta-feira, 28 de junho de 2013

Autuori alerta que estrutura atual do Vasco impede grandes contratações


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Paulo Autuori treino Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Site do Vasco)

Paulo Autuori adotou um discurso duro nesta sexta-feira, após o treinamento no Cefan, ao abordar as condições de trabalho oferecidas pelo Vasco. Mostrou-se incomodado com elas, embora diga reconhecer o esforço da diretoria, e avisou que, com a estrutura atual, o clube não teria como contratar grandes jogadores.

Um dos episódios recentes que mais o irritaram foi ter encontrado o Cefan (Centro de Educação Física Adalberto Nunes), onde o Vasco vem treinando, lotado nessa quinta-feira. A falta de privacidade fez com que ele cancelasse a atividade prevista para o local. Apesar da bronca, ele tratou de eximir o Cefan de culpa.

- Ricardo (Gomes) falou ontem (quinta), e eu reforço. Nada contra o Cefan, mas o problema é nosso, é do Vasco. Não adianta falar em grandes nomes se não melhorarmos nossa estrutura. Não há condições de absorvermos grandes nomes com essa estrutura. Se trabalhássemos ontem, trabalharíamos como em uma situação não profissional. Impossível uma equipe que está disputando o Brasileiro desenvolver o trabalho como tinha que acontecer - prosseguiu.

Os jogadores do Vasco estão sem receber salário há dois meses, e a diretoria prometeu pagar um deles ainda nesta sexta-feira. Quando chegou ao clube, Autuori exigiu que não houvesse mais atraso a partir de junho.

Se o Vasco precisa de um treinador que esteja preocupado apenas em chegar na hora do treino, dar o treino e ir embora, é melhor procurar outro"
Paulo Autuori

- A primeira coisa que tenho que admitir, se pretendo ser justo, é o esforço que a direção tem feito para mudar as coisas no Vasco. Sou o primeiro a reconhecer isso e o primeiro a dar o peito às balas. O foco é para recuperar a saúde financeira, e todas as pessoas estão trabalhando muito, mas quero dizer também que, se o Vasco precisa de um treinador que esteja preocupado apenas em chegar na hora do treino, dar o treino e ir embora, é melhor procurar outro, porque eu não sou assim. Não acredito que o treinador esteja preocupado somente em fazer as coisas ali naquela hora do treino e depois esquecer tudo. Até porque eu quero um Vasco forte, que possa dignificar a rica história dele, mas também não vou deixar de falar as coisas - desabafou.

Apesar da insatisfação com a estrutura, Autuori reiterou estar empolgado com o esforço da direção por mudanças no clube. A busca por certidões positivas com efeito de negativas - que permitam fechar patrocínio com estatais e fugir de penhoras da Fazenda Nacional - é uma das coisas que o alegram.

- Isso me anima muito. As pessoas que estão dirigindo o Vasco hoje estão fazendo de tudo. Mas isso é um problema de muitos anos. É hora de nos juntarmos. Se, com as condições que temos, conseguimos chegar em um lugar onde ninguém nos colocou, nós vamos fazer coisas boas. Quando entro no campo, esqueço tudo e fico feliz com a maneira como os jogadores têm trabalhado e se doado para conseguir as coisas. Mas não vou deixar de pensar em melhorar tudo, porque a história do Vasco não permite que um profissional não faça isso. Esse é meu discurso e, se não puder fazer isso, não tenho por que continuar. E se estou aqui é porque estou vendo o esforço das pessoas - encerrou.


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